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Sobrevivência pela Gestão de Caixa

Ser empreendedor no Brasil não é tarefa das mais fáceis. Somos admirados pelos nossos pares no exterior pela versatilidade, adquirida, talvez, em função de vários planos econômicos, um sistema tributário complexo, isso sem contar com o cenário político, que traz elevada dose de influência na economia do país.

Apesar deste cenário adverso, a quantidade de empreendedores tem aumentado.

Prova disso é o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 20151, que mostra que mais de 1/3 dos brasileiros com idade entre 18 e 64 anos estavam envolvidos em alguma atividade na condição de empreendedor. Isso corresponde a cerca de 52 milhões de brasileiros!

No sentido inverso, muitas empresas acabam encerrando suas atividades num curto período após serem abertas.

De acordo com a última pesquisa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, das mais de 694 mil empresas que nasceram em 20092:

  • 77,3% sobreviveram ao 1º ano (2010)
  • 65,2% sobreviveram ao 2º ano (2011)
  • 55,8% sobreviveram ao 3º ano (2012)
  • 47,5% sobreviveram ao 4º ano (2013)

Ainda de acordo com outra pesquisa do SEBRAE, do ano de 2014, a causa mortis das empresas está relacionada, entre outras, com:

  • Falta de planejamento
  • Problemas na gestão do empreendimento
  • Comportamento do empreendedor

Notadamente, a falta de planejamento e os problemas na gestão do empreendimento despontam como causas de grande relevância na mortalidade das empresas.

Muitos empresários, por falta de habilidade ou por falta de orientação correta, deixam de utilizar duas das mais relevantes ferramentas para a gestão dos seus negócios: o Fluxo de Caixa (FC) e a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)3.

O FC consiste na previsão das entradas (receitas) e das saídas (despesas) do negócio. Pode e deve ser utilizado por qualquer empreendedor, não importando o ramo de atividade empresarial, número de funcionários, faturamento, dentre outras variáveis.

Ele é a ferramenta que proporcionará identificarmos eventuais necessidades de financiamento de curto prazo (insuficiência de recursos) ou a disponibilidade para investir (excessos de recursos em relação às necessidades).

Entretanto, embora de grande importância, várias empresas acabam não utilizando o FC como instrumento de gestão financeira.

As consequências que a falta de utilização desta ferramenta são diversas. Destando:

- Falta de clareza para enxergar eventuais necessidades de caixa. A empresa acaba descobrindo normalmente no dia que não possui recursos financeiros suficientes para honrar seus compromissos.

- Pelo fato de não ter tempo hábil para buscar opções de financiamento junto ao mercado, normalmente acaba tomando crédito com elevadas taxas de juros, o que acaba sendo um verdadeiro veneno para o negócio.

- Sem a visualização de quais são as despesas e quando elas ocorrem, muitas vezes enfrentamos a concentração de saídas de caixa num único período, ocasionando períodos de alta necessidade de caixa e escassez de recursos.

- A falta do FC faz com que a administração financeira do negócio seja reativa, lidando com o dia a dia, ao invés de ser uma ativa, lidando com possíveis problemas futuros.

- Analise se os eventuais problemas de caixa são pontuais ou crônicos. Os problemas pontuais de caixa sinalizam um descompasso entre as receitas e as despesas. Entretanto, caso o problema seja recorrente, isso pode denotar outros problemas, como por exemplo um ciclo financeiro desajustado ou até mesmo problemas de formação do preço de venda do mix de produtos.

O FC deve ser elaborado pelo próprio empreendedor. E é justamente aí que reside o grande problema.

Muitos empresários acabam deixando o fluxo de caixa de lado sob a alegação que dá trabalho sua elaboração.

Na verdade esta afirmativa é parcialmente correta.

A fase inicial de elaboração do FC é a mais trabalhosa. Precisamos coletar todas as informações relativas às receitas e despesas, tomando cuidado para não deixarmos nenhuma informação de lado, sob pena de comprometer os resultados do fluxo.

A fase seguinte é a alimentação contínua do FC, onde diariamente devemos incluir as informações do próximo período.

Mas qual o horizonte ideal de um FC?

Para começar, o FC deve trazer o horizonte de não menos do que 30-45 dias. O desejável seria pelo menos um período de 6 meses a um ano de projeções.

Hoje temos uma infinidade de possibilidades para preparação do nosso FC: aplicativos para celulares e tablets, softwares desenvolvidos com a tecnologia cloud até planilhas de cálculo. Entretanto, indiferentemente da forma que venhamos a escolher para controlar nosso fluxo de caixa, existe um fator que será determinante no sucesso ou insucesso: o hábito.

Se não dedicarmos diariamente a alimentar e analisar nosso fluxo de caixa, certamente não conseguiremos extrair as informações necessárias para o sucesso do nosso empreendimento.

Por fim, vale destacar que as empresas quebram não por falta de lucro, mas sim por falta de caixa.  

Portanto, reserve diariamente um tempo para cuidar dos assuntos contábeis e financeiros. Estas são atividades que não podem ser delegadas, devendo o próprio empreendedor cuidar delas, a fim de assegurar o êxito do negócio.

Lembre-se: o maior interessado no sucesso do seu empreendimento deve ser o próprio empreendedor e quanto maior for a sua dedicação a estes assuntos, mais chances teremos de ficar fora das estatísticas de mortalidade das empresas.

NOTAS:

1 - http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/c6de907fe0574c8ccb36328e24b2412e/$File/5904.pdf

2 - http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/de-6945-mil-empresas-que-nasceram-em-2009-475-continuaram-em-2013.html

3 – A estrutura da demonstração de resultado de exercício é definida pela lei n° 11.638, de 27 de dezembro de 2007.

 

Autores:

 

Carlos Afonso

Sócio-diretor do Grupo MCR

 

Edward Cláudio Júnior

Educador e Coach Financeiro. Sócio-diretor da Macro4 Escola de Negócios.